segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Conto Sem Ponto, o Primeiro - Algo Novo

Os seus olhos castanho amêndoa despertaram para um Sol esplenderoso entrando pela janela. Algures piavam alguns pássaros alegremente, claramente incautos à chegada cada vez mais próxima do Outono. Pairavam no ar os últimos odores estivais, espreitavam já fugazes arrepios de frio, o calor do astro-rei encolhia-se atrás de fofas nuvens indecisas. Eram os últimos dias de Verão e ele gostava particularmente deste doce turpor que lhe percorria as veias havia dias. Debaixo do duche, espantou com volúpia o sonho que tivera, a água fazendo-lhe cócegas enquanto lhe escorria pelo pescoço. Era mais um dia de "dolce fare niente"... ou ele assim o pensava.

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